Transitários acusam estivadores de "práticas anti portuárias" na marcação de greve

Transitários acusam estivadores de "práticas anti portuárias" na marcação de greve

 

Lusa/AO Online   Regional   19 de Jul de 2018, 12:15

A Associação dos Transitários de Portugal alertou esta quinta-feira para os prejuízos da greve dos estivadores agendada para dia 27 deste mês, acusando os promotores do protesto de “práticas anti portuárias”.

A reação da APAT - Associação dos Transitários de Portugal, surge na sequência do pré-aviso de greve, divulgado na passada sexta-feira pelo Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística (SEAL), acerca de um protesto de 24 horas, entre as 8horas de 27 de julho e as 8horas de 28 de julho, nos portos de Lisboa, Setúbal, Sines, Figueira da Foz, Leixões, Caniçal, Ponta Delgada e Praia da Vitória.

“Foi sem grande surpresa que fomos confrontados com mais um pré-aviso de greve emitido pela direção do SEAL, em violação do acordo de paz social alcançado, por alegadas práticas antissindicais, quando, em bom rigor, se assiste precisamente ao inverso: práticas anti portuárias”, afirma a associação no documento.

O protesto de 24 horas, segundo a APAT, provoca “prejuízos imediatos e diretos para a imagem e atividade” do Porto de Lisboa, que diz ser “o mais afetado” de todos os portos abrangidos pela greve que considera “reprovável”.

“A APAT, na prossecução da sua missão, considera importante que seja do conhecimento público que estas greves prejudicam gravemente a atividade portuária e a imagem dos portos nacionais”, defende no comunicado, explicando que estes protestos condicionam, desde o momento do pré-aviso, as escalas dos navios, que optam por outros portos.

A associação diz que esta situação é “particularmente grave no caso do Porto de Lisboa”, uma vez que recentemente recuperou das escalas perdidas aquando das greves dos últimos anos.

“A pergunta que se impõe neste momento é saber se o SEAL pretende, depois de ter prejudicado gravemente o Porto de Lisboa, fazer o mesmo com os restantes portos nacionais”, questiona, defendendo que “todos se deviam unir em torno da defesa do porto de Lisboa”.

A associação acusa ainda o SEAL de ser, “mais uma vez, o primeiro na linha da frente de ataque, contra tudo, contra todos e contra os interesses dos seus próprios afiliados”.

Há dois dias, também a Associação dos Agentes de Navegação de Portugal (Agepor) acusou SEAL de “usar e prejudicar” os trabalhadores do Porto de Lisboa com a greve marcada para final do mês.

“O SEAL usa e prejudica os estivadores de Lisboa para objetivos que nada têm a ver com o Porto de Lisboa e que só vêm prejudicar este porto e quem nele trabalha”, acusou a Agepor, em comunicado divulgado.

A greve convocada pelo SEAL termina às 08:00 de 28 de julho, sábado, e tem como fundamentos “a crescente proliferação de práticas anti sindicais nos diversos portos portugueses, revestindo-se estas de extrema gravidade no Porto de Leixões, permanecendo ainda graves no Porto do Caniçal”.

Aquele sindicato, de âmbito nacional, em comunicado divulgado, acusou as empresas portuárias dos portos abrangidos pela greve de comportamentos que configuram diferentes tipos de “assédio moral, desde perseguição a coação, desde suborno à discriminação, desde as ameaças de despedimento à chantagem salarial”, e que visam colocar uns trabalhadores contra outros e evitar a sua sindicalização.



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