Ruy de Carvalho distinguido com Prémio Árvore da Vida

Ruy de Carvalho distinguido com Prémio Árvore da Vida

 

Lusa/AO online   Cultura e Social   12 de Abr de 2018, 17:23

O ator Ruy de Carvalho foi distinguido com o prémio anual Árvore da Vida - Padre Manuel Antunes 2018, da Igreja Católica, que destaca um percurso ou obra marcado pelo humanismo e a experiência cristã, anunciou a agência Ecclesia.

A decisão foi anunciada pela Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais da Igreja e, na ata da atribuição do prémio, o júri realça o percurso do ator e 'diseur', de 91 anos, sublinhando o seu “sentido exemplar da seriedade profissional” e as “implicações culturais da sua presença no espaço público", da qual decorre "a empatia e a influência positiva exercida na sociedade”.

“A consciência dos poderes do teatro, do cinema e da televisão encontrou sempre em Ruy de Carvalho uma resposta indutora da elevação humana – numa carreira sintomaticamente iniciada em 1942, com 'O Jogo para o Natal de Cristo', e sempre coerente com o humanismo cristão que inspira a sua visão da vida”, lê-se na deliberação.

O júri integrou João Lavrador, bispo de Angra e presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, o padre Américo Aguiar, presidente do Conselho de Gerência do Grupo Renascença, o padre António Trigueiros, diretor da revista “Brotéria”, a professora Maria Teresa Dias Furtado, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Guilherme d’Oliveira Martins, administrador-executivo da Fundação Calouste Gulbenkian, e José Carlos Seabra Pereira, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

O júri decidiu, por unanimidade, "atribuir a edição de 2018 do Prémio Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes a Ruy de Carvalho, ator e declamador", "com cimeira representatividade nos palcos e nos ecrãs há mais de sete décadas e, como tal, distinguido com inúmeros galardões e com altas condecorações do Estado português”.

O prémio será entregue no dia 02 de junho, em Fátima, no âmbito do programa da 14.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura.

O júri destacou ainda o "percurso brilhante" de Ruy de Carvalho enquanto aluno do Conservatório Nacional, a sua passagem pela direção artística do Teatro Experimental do Porto (TEP), a experiência como encenador ("Terra Firme", de Miguel Torga) e a “inesquecível interpretação” de "Rei Lear", no palco do Teatro Nacional D. Maria II, em 1998.

Destacou ainda o trabalho de Ruy de Carvalho no cinema, como em "Pássaros de Asas Cortadas" (1963), de Artur Ramos, "Domingo à Tarde" (1965), de António de Macedo, "O Cerco" (1969), de António da Cunha Telles, "Cântico Final" (1974), de Manuel Guimarães, e "Non ou a Vã Glória de Mandar" (1990), de Manoel de Oliveira, entre outros.

Ruy de Carvalho nasceu em Lisboa, a 01 de março de 1927, estreou-se em 1942, em "O Jogo para o Natal de Cristo", peça encenada por Francisco Ribeiro, conhecido como Ribeirinho, e anunciou a reforma em 1998, com a interpretação de Rei Lear, no Nacional D. Maria II, embora prossiga a carreira nos palcos e na televisão.

Subiu ao palco do Teatro D. Maria II pela primeira vez em 1947, integrado no elenco da companhia Rey-Colaço/Robles Monteiro. Seguiram-se o Teatro Avenida, a companhia Rafael Oliveira e o Teatro Monumental, o Teatro do Povo e o Teatro Moderno de Lisboa, com sede no Cine-Teatro Império.

O ator tem o nome associado à primeira peça exibida na televisão portuguesa, "Monólogo do Vaqueiro", de Gil Vicente, quando da criação da RTP, em 1957, e também à primeira telenovela, "Vila Faia", em 1982, realizada por Nuno Teixeira.

A 01 de março de 2017, quando o ator completava 90 anos, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou-o com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito.

Em 1998, tinha sido condecorado com o grau de comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada, pelo Presidente da República Jorge Sampaio.

O Prémio Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes é composto pela escultura "Árvore da Vida", de Alberto Carneiro, e um montante de 2500 euros. Foi instituído em 2005, pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, com o patrocínio do grupo Renascença Comunicação Multimédia.

O poeta Fernando Echevarría, o cientista Luís Archer S.J., o realizador Manoel de Oliveira, a professora catedrática Maria Helena da Rocha Pereira, o político Adriano Moreira e o compositor Eurico Carrapatoso contam-se entre as personalidades distinguidas com o prémio.



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