Defende Nuno Faria

Vivenciar a música ao serviço das artes

Vivenciar a música ao serviço das artes

 

João Rocha   Cultura e Social   10 de Jan de 2018, 12:15

O clarinete é o instrumento de eleição, desde tenra idade, mas Nuno Faria sente a música como um todo, interligada com as outras áreas. O importante é saber “vivenciá-la”, diz o jovem, com especialização - performance em clarinete.


“Um elástico tem um certo alcance. Se ao juntarmos outros, o nosso horizonte fica infinitamente maior”. Este é o princípio orientador de Nuno Faria, 23 anos, licenciado em Música, especialização - performance em clarinete.

O jovem, natural da vila do Porto Judeu, Angra do Heroísmo, admite que gosta de tocar música e partilhar conhecimentos com outros músicos, independentemente do estilo.

“Gosto de boa música, de vivenciá-la. Tudo depende do poder criativo. Precisamos de ter a mente aberta, até porque obtemos conhecimentos quase sem esperar”, especifica.

Para Nuno Faria, “todas as artes estão interligadas”, destacando, a propósito, a componente musical em áreas como a “literatura, teatro, cinema, guionismo e expressão corporal”.

A sua iniciação musical, com apenas nove anos de idade, está associada às origens familiares e sociais.

Começou na Escola de Música da Banda Filarmónica da Associação Cultural do Porto Judeu, onde o pai, José Manuel Faria, também tocava clarinete.

“Nunca admiti a hipótese de escolher outro instrumento. O clarinete é muito versátil, capaz de produzir sonoridades mais intensas ou melodiosas”, recorda Nuno Faria, que conciliou os cursos de Ensino Artístico e Ciências e Tecnologias.

Sublinha, a propósito, o “papel fulcral” desempenhado pelas filarmónicas nos primeiros passos da aprendizagem musical.

“Em coletivo, com músicos experientes, é mais fácil aprender. As filarmónicas contribuem, em muito, para a riquíssima oferta cultural proporcionada na ilha Terceira”.

Na sua perspetiva, “ter prazer é o essencial para aprender música, não obstante todos nascermos com mais ou menos talento em diferentes áreas”.

Na componente pedagógica, Nuno Faria enfatiza “o processo evolutivo de cada aluno” e o papel da investigação na busca “do como e porquê das coisas”.

O percurso

Até aos nove anos de idade Nuno Faria frequentou a Escola de Música da Banda Filarmónica da Associação Cultural de Porto Judeu. Em 2004, com 10 anos de idade, integrou a classe do professor Oleg Gunko, no Conservatório Regional de Angra do Heroísmo e, posteriormente, no Ensino Artístico da Escola Básica e Secundária Tomás de Borba, onde viria a concluir o curso complementar de instrumento (com 19 valores a clarinete) e, simultaneamente, o curso em Ciências e Tecnologias. Em 2013, ingressou na Licenciatura em Música, especialização - performance em clarinete, na classe do professor Luís Carvalho, na Universidade de Aveiro, tendo concluindo a área vocacional, em 2016, com 18 valores.

Ao longo do seu percurso artístico, frequentou master classes/cursos de aperfeiçoamento técnico e performativo, com solistas conceituados: Alain Damien (França), António Rosa (clarinete mib), António Salgueiro (Espanha), Camilo Irizo (Espanha), Dean Newcomb (Austrália), Étienne Lamaison (França), Giorgio Feroleto (Itália), Josep Fuster (Espanha), Luís Carvalho, Miguel Costa, Nuno Pinto, Nuno Silva, Piero Vincenti (Itália), Radovan Cavallin (Croácia), Ricardo Alves (clarinete baixo e clarinete soprano) e Victor Pereira. Realizou, também, uma formação teórico-prática, orientada por Juvino Alves Filho, sobre Chorinhos, intitulada Oficina de Chorinhos Brasileiros, num workshop sobre a Linguagem e Notação Contemporânea para Clarinete, ministrado por Victor Pereira. Através da Orquestra Angrajazz, participou num workshop sobre a improvisação no jazz, orientado por Pedro Moreira.

Participou em alguns festivais do panorama nacional e internacional, tais como, Festivais de Outono, V Festival Internacional Clarinet Talents, 42.º Congresso Internacional de Viola de Arco, ClarMeet.Porto’16, ClarMeet.Porto’17, VII Festival de Música e Artes do Dão, Clarinet Fest 2015 e, ainda, Semana da Cultura Açoriana.

Colaborou com a Orquestra Filarmonia das Beiras, a Orquestra Sinfónica da Universidade de Aveiro, a Orquestra Regional Lira Açoriana, a Orquestra de Sopros da Ilha Terceira, a Banda Militar dos Açores, a Orquestra de Sopros da Universidade de Aveiro, a Banda Sinfónica do Conservatório de Música de Aveiro, entre outras formações, onde realizou programas em clarinete soprano, clarinete baixo e em clarinete mib. No que concerne a performances, desde o reportório orquestral até ao de música de câmara, já interpretou obras em algumas salas emblemáticas de Portugal e de Espanha.

Trabalhou, em orquestra, com os maestros Andreas Weiss, Luís Carvalho, António Vassalo Lourenço, Ernst Schelle, Paulo Martins, Manuel Fernando Marinho, André Granjo, Antero Ávila, entre outros, e, em música de câmara, com Jean-Michel Garetti, Luís Carvalho, António Chagas Rosa e Sérgio Neves.

Quanto à sua atividade pedagógica e profissional, deu formação e orientou o naipe de clarinetes no V e no VI estágios da Filarmónica da Associação Cultural do Porto Judeu, no estágio inserido no VI Festival de Bandas Filarmónicas e, ainda, no II Música nas Férias, em Santa Bárbara da ilha Terceira.

Em 2014, participou num curso de formação em técnica de Alexander com Isobel Anderson, professora na Royal Scottish Academy of Music and Drama de Glasgow, no intuito de adquirir conhecimentos sobre este método de reeducação psicofísica nos instrumentistas.

Em 2015 e em 2016, de modo a aprofundar os seus conhecimentos em direção, teve aulas de técnica com o professor e maestro Vasco Negreiros.

No âmbito de projetos artísticos multidisciplinares, teve formação com os orientadores Paulo Rodrigues e Filipe Lopes. De 2015 a 2016, frequentou o Curso de Formação Teatral no GrETUA (Grupo Experimental de Teatro da Universidade de Aveiro), tendo trabalhado com coordenadores como Miguel Branca, Bruno dos Reis, Pedro Jordão, João Fino, Andrea Conangla, David Costa e Nuno dos Reis, e, de 2016 a 2017, frequentou o Curso de Dramaturgia e Guionismo, organizado pela mesma instituição, com Mickaël de Oliveira, Marco Mendes, João Leitão, Cláudia Lucas Chéu, Vasco Sá, David Doutel e Bruno dos Reis. Em 2017, trabalhou Clown (um estilo teatral) com o artista Rui Paixão.

Em 2016, Nuno Faria frequentou o Curso de Língua Gestual Portuguesa, na ESSUA (Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro), com o docente Telmo Fernandes, concluindo o nível I nesse mesmo ano.

Em 2017, realizou vários concertos, numa digressão durante o mês de janeiro, com a Orquestra Filarmonia das Beiras e o pianista Mário Laginha.

Atualmente, frequenta o segundo ano do 2.º ciclo de estudos, no Mestrado em Ensino de Música-Clarinete, na Universidade de Aveiro, e é professor estagiário no Conservatório de Música de Aveiro Calouste Gulbenkian.

De 2016 até à presente data, Nuno Faria mantém-se como bolseiro artístico da Fundação Medeiros e Almeida.




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