PSD exige envio ao parlamento da auditoria à gestão da Caixa Geral de Depósitos

PSD exige envio ao parlamento da auditoria à gestão da Caixa Geral de Depósitos

 

Lusa/AO Online   Economia   21 de Jun de 2018, 18:28

O PSD formalizou hoje o pedido de envio ao parlamento da auditoria independente realizada a atos de gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) praticados entre 2000 e 2015, defendendo que este documento não pode ficar “escondido numa gaveta”.

Na terça-feira, no encerramento das jornadas parlamentares do PSD, na Guarda, o presidente do partido, Rui Rio, já tinha anunciado que a bancada social-democrata iria fazer este requerimento, hoje entregue no parlamento.

“Se a auditoria está terminada, o que é óbvio é que essa auditoria tem de ser entregue ao parlamento. Os portugueses têm o direito a saber - depois de terem feito um esforço superior a quatro mil milhões de euros de injeção de fundos públicos na CGD – o que aconteceu na gestão para que aqueles buracos tivessem de ser tapados”, defendeu o vice-presidente da bancada do PSD António Leitão Amaro, em declarações aos jornalistas no parlamento.

“É preciso perceber o que aconteceu na gestão, quem tomou aquelas decisões”, acrescentou, lembrando que o PSD já pediu para que sejam conhecidos quem foram os devedores que geraram as imparidades.

O deputado antecipou desde já argumentos que possam ser invocados para recusar este pedido, como o sigilo bancário, rejeitando-os.

“Nem venham cá com argumentos de sigilo e segredo: a auditoria pode ser acedida garantindo condições de cumprimento da lei, mas tem de ser entregue à Assembleia da República”, sublinhou.

Leitão Amaro manifestou confiança de que o requerimento do PSD seja aprovado na próxima semana na Comissão de Orçamento e Finanças por todos os partidos.

“Era só o que faltava que depois de terem querido evitar a auditoria ela agora ficasse escondida numa gaveta”, referiu.

No requerimento, os deputados do PSD sublinham que, quando em 2016 foi tornado público “o elevadíssimo montante (superior a 4 mil milhões de euros) de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos desejado pelo Governo, o PSD defendeu reiteradamente a realização de uma auditoria independente à gestão passada” do banco público.

“Após rejeitar as propostas iniciais do PSD para essa auditoria, mas perante as insistências da sociedade portuguesa e do parlamento (incluindo através de uma Resolução), o Governo lá veio a decidir, em reunião do Conselho de Ministros de 23 de junho de 2016, que iria incumbir a nova administração da CGD de proceder à abertura de uma auditoria independente a atos de gestão da CGD praticados a partir de 2000”, recordam.

De acordo com o requerimento, só em 2017 foi adjudicado o trabalho da auditoria pela administração da Caixa e, em audição parlamentar realizada em 21 de março de 2018, o presidente executivo da Caixa “informou que a auditoria estava concluída e teria já passado a processo de verificação por uma segunda auditora”.

Em 30 de maio, o ministro das Finanças e o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Mário Centeno e Mourinho Félix, informaram que a auditoria estará praticamente terminada, mas referiram que esta seria apenas enviada “aos supervisores e às autoridades de investigação criminal, na eventualidade de conter indícios de práticas que possam configurar crime, mas não ao acionista Estado”.



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