Empresa recorre à folha de ananás para produzir mobiliário urbano

Empresa recorre à folha de ananás para produzir mobiliário urbano

 

Miguel Bettencourt Mota   Regional   15 de Jun de 2018, 13:48

Boa Fruta colocou o ananás que produz ao serviço do ‘know how’ científico e tecnológico da Fibrenamics Azores, visando aceder a conhecimento privilegiado sobre como retirar componentes da respetiva fibra para fabricar mobiliário urbano


A empresa familiar Boa Fruta, que produz ananás na ilha de São Miguel, pretende, a partir da fibra vegetal do fruto-rei, produzir mobiliário urbano e comercializá-lo para além dos limites geográficos da Região.

Para tal, colocou o fruto-rei à mercê do conhecimento científico e tecnológico da Fibrenamics Azores, entidade de quem é parceira e que tem no espírito de missão potencializar materiais fibrosos no arquipélago.

“O projeto com a Boa Fruta pretende valorizar desperdícios de origem vegetal, aquando do cultivo e da extração do ananás”, explicou a este jornal o project manager da Fibrenamics Azores, Fernando Cunha.

Será, assim, aquele polo da Universidade do Minho, sediado na Nonagon, a aportar a Boa Fruta com ‘know- how’ para que, numa fase mais adiantada da parceria, a empresa açoriana possa autonomamente trabalhar a fibra da folha do ananás e produzir mobiliário com uma vocação urbana, a partir dos respetivos componentes.

Entretanto, “neste momento, o protótipo idealizado tem a ver exatamente com mobiliário de jardim”, adiantou ao Açoriano Oriental o sócio-gerente da Boa Fruta, José Jorge Dâmaso. Há, no entanto, “mais coisas pensadas”, sublinhou o empresário, que preferiu reservar a respetiva divulgação para uma fase em que os resultados da investigação da Fibrenamics possam estar mais apurados e se consiga ultimar a aplicação que poderão ter.

O projeto encontra-se, portanto, numa fase de estudo e de desenvolvimento de protótipos, mas José Jorge Dâmaso dá nota de “expetativas elevadas” na empresa quanto ao sucesso da iniciativa.

Como disse, “acreditamos que vamos desenvolver um projeto de produção e produtos, à base da fibra de ananás, com alto valor”.

O otimismo do sócio gerente da Boa Fruta também é suportado pelos sinais que chegam do mercado, cada vez mais, a evidenciar uma maior sensibilidade ambiental. “Há uma consciência ambiental generalizada de que temos de reduzir a nossa pegada ecológica, de que temos de reduzir e reutilizar. A Boa Fruta posiciona-se perante essa consciencialização e identifica-se com ela”, declarou o empresário.

A Boa Fruta foi criada em 2015, mas dá continuidade aos objetivos da antiga empresa Humberto Silva.

Sediada em São Miguel, na freguesia da Fajã de Baixo, a empresa faz parte de um vasto leque de produtores de ananás na ilha.

É o continente português que, diz José Jorge Dâmaso, absorve a grande percentagem da quantidade de ananás que é exportada da Região. Ainda assim, está em crer que há mais mercados por explorar.

Além do da diáspora, o gestor crê ser possível captar a atenção de países europeus como Inglaterra, França e Alemanha.



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