Um ano após a eleição, Donald Trump quebrou quase todas as regras

Um ano após a eleição, Donald Trump quebrou quase todas as regras

 

Lusa/AO Online   Internacional   7 de Nov de 2017, 08:37

Um ano depois da sua eleição, a 08 de novembro de 2016, Donald Trump quebrou quase todas as regras da presidência dos Estados Unidos, de convivência com críticos, media, aliados ou mesmo outros órgãos de soberania norte-americanos.

Donald Trump, um homem de negócios multimilionário nova-iorquino de 71 anos, ascendeu ao cargo de Presidente do país mais poderoso do planeta graças a um discurso contra as elites, prometendo fazer voltar a América à sua antiga glória.

No entanto, tem sentido grandes dificuldades para pôr em prática as reformas anunciadas, muitas delas tão contestadas pelos adversários democratas como pelos supostos aliados republicanos.

Assim, Donald Trump dá muitas vezes a impressão de ainda vestir o fato de candidato presidencial (recordando os números com que derrotou a candidata democrata, Hillary Clinton, ou insistindo em múltiplas presenças em comícios).

Não é só o próprio Trump a colocar a campanha presidencial na ordem do dia. As alegações de interferência russa (e conluio de alguns dos seus assessores e familiares próximos com o governo russo) com vista a elegê-lo também pairam, um ano depois da eleição, como uma nuvem tóxica sobre a Casa Branca.

Todas as semanas há novos dados da investigação do procurador-especial Robert Mueller ao alegado favorecimento da Rússia a Trump, surgindo agora as primeiras acusações formais ao seu antigo chefe de campanha, Paul Manafort.

A rajada de tweets que dispara (quase) todas as manhãs, muitos deles com um tom revanchista e vingativo, acresce à dificuldade que o público norte-americano e mundial sente em vê-lo como um homem em pleno exercício do poder.

Tanto os aliados como os adversários dos Estados Unidos se interrogam acerca do real valor político das mensagens divulgadas pelo utilizador @realDonaldTrump.

Um ano depois da sua eleição e dez meses após a tomada de posse, Trump é o Presidente com a menor taxa de popularidade na história moderna dos Estados Unidos.

A mais recente sondagem Gallup indica que a sua popularidade está nos níveis mais baixos desde que assumiu funções, nos 33%. Uma percentagem de longe mais baixa do que os cinco últimos antecessores - democratas ou republicanos – pela mesma altura do primeiro mandato.

Trump tem feito um esforço por marcar a diferença para o anterior Presidente, o democrata Barack Obama, tentando constantemente revogar a legislação aprovada nos seus mandatos.

O novo Presidente também dirige as suas mensagens ao que considera ser a América “esquecida”, a população branca mais afetada economicamente pela globalização e que, em última análise, o levou ao poder.

Trump, que se considera um mestre na “arte da negociação”, tem sentido grandes dificuldades em mostrar qualidades nesse ponto ao lidar com o Congresso norte-americano.

Apesar de as duas câmaras (Câmara dos Representantes e Senado) estarem nas mãos do partido que o apoia, os Republicanos, Trump tem visto as suas principais medidas políticas bloqueadas, da imigração à revogação do sistema de saúde pública impulsionada por Obama, conhecido por Obamacare.

Os alvos do Presidente são muitos e variados: os líderes republicanos no Senado, os juízes, as agências de espionagem e informações, as vítimas de ataques da extrema-direita, os jogadores de futebol norte-americano ou autarcas de zonas devastadas de Porto Rico. E o alvo é recorrente: os media “fake news”, os jornais e televisões “mainstream” que noticiam os seus deslizes.

"Ele está em guerra com quase todo o mundo (…). A cada semana ele apresenta um novo inimigo aos americanos”, realçou o professor Julian Zelizer, da Universidade de Princeton.

Dois senadores republicanos preferiram mesmo denunciar um Presidente que prefere as “verdades alternativas”, considerando-o um "perigo para a democracia".

"As palavras e os atos de Trump poderão ter um impacto enorme sobre uma das instituições mais importantes da democracia [norte-americana]. O maior perigo talvez seja que as pessoas deixem de ficar chocadas com o que quer que seja”, concluiu Julian Zelizer.



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