Trump evita falar sobre campanha antidrogas de Duterte na visita às Filipinas

Trump evita falar sobre campanha antidrogas de Duterte na visita às Filipinas

 

Lusa/AO online   Internacional   13 de Nov de 2017, 12:03

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evitou a questão dos direitos humanos na sua visita às Filipinas, rejeitando comentar a sangrenta campanha antidrogas lançada pelo Presidente filipino, Rodrigo Duterte.

Trump elogiou repetidas vezes Duterte e referiu-se a este pelo nome próprio, evitando criticar a situação dos direitos humanos no país. Os dois homens riram juntos quando Duterte chamou "espiões" aos jornalistas.

Num jantar de gala em Manila que juntou os 20 líderes estrangeiros que participam na cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) nas Filipinas, Duterte cantou a canção "Ikaw" em dueto com a cantora Pilita Corrales, dizendo à audiência que o fizera "sob as ordens do comandante supremo dos Estados unidos", motivando gargalhadas da assistência e um sorriso de Donald Trump.

Duterte lançou uma sangrenta guerra contra as drogas e frequentemente vangloria-se de ter matado pessoas. No ano passado, chamou filho da mãe ao então Presidente dos EUA, Barack Obama.

Hoje, durante um breve encontro com os jornalistas, Trump afirmou que tem "uma ótima relação" com Duterte, evitando responder sobre se mencionou a questão dos direitos humanos.

Rompendo com uma tradição dos líderes norte-americanos, Trump deixou de pressionar líderes estrangeiros em público sobre questões relativas aos direitos humanos.

A Casa Branca informou mais tarde que os dois lideres falaram, durante 40 minutos, da organização extremista Estado Islâmico, drogas ilegais e do comércio bilateral. A porta-voz da administração Trump, Sarah Huckabee Sanders, disse que os direitos humanos foram "brevemente" mencionados, no contexto da campanha antidrogas, mas sem detalhar de Trump foi critico desta.

Já Harry Roque, porta-voz de Duterte, disse que os direitos humanos e execuções extrajudiciais não foram abordados.

A polémica campanha contra o narcotráfico lançada por Duterte já causou milhares de mortos, com organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos a afirmarem que a polícia filipina executa consumidores e passadores de droga, bem como elementos das suas famílias.

Mais de 3.900 suspeitos foram já abatidos pela polícia.

Estima-se que o número total de mortes seja superior a 9.000 se somados os homicídios de supostos toxicodependentes e traficantes atribuídos a indivíduos ou patrulhas de moradores.



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