Greve dos professores: sindicatos apontam 40% e Governo Regional estima 20%

Greve dos professores: sindicatos apontam 40% e Governo Regional estima 20%

 

Lusa/AO online   Regional   16 de Mar de 2018, 14:11

Os dois sindicatos dos professores nos Açores estimaram esta sexta-feira que a greve de docentes na região registe uma adesão na ordem dos 40%, com algumas escolas encerradas, mas a tutela garante que a paralisação se situa nos 19.9%.

Contactado pela agência Lusa, o presidente do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores (SDPA) disse que a adesão "está acima do que se estava à espera".

"Na Básica de Angra do Heroísmo, na Terceira, estava a rondar os 40%, e na Domingos Rebelo, em Ponta Delgada, São Miguel, os 20%. E há também escolas encerradas no primeiro ciclo, nomeadamente na Fajã de Baixo e na Matriz, em Ponta Delgada, e outros estabelecimentos de ensino condicionados", adiantou José Gaspar.

O sindicalista salientou que à razão principal da greve se juntam "outros motivos nos Açores", nomeadamente "a perda de serviço de três anos da transição da anterior para a atual carreira professores do quadro".

“Há ainda a precariedade e a quantidade de professores com contratos a termo, já que na região não há a limitação da contratação sucessiva e não se paga nos Açores uma compensação quando os professores acabam os seus contratos”, sustentou, lamentando que o Governo Regional tenha assumido "uma estratégia humilhante de ganhar tempo" e "remetendo-se a uma escusa assente na justificação de "esperar pelo que ocorrer a nível nacional".

O presidente do Sindicato dos Professores da Região Açores, por seu turno, indicou também que nalgumas escolas do arquipélago a adesão à greve está entre os 40% a 50%.

Segundo António Lucas, a greve de quatro dias por regiões, e que hoje chega à região norte e Açores, também se justifica no arquipélago.

"Foi assinado um compromisso pelo Governo da República, entre outras matérias, a recuperação total do tempo de serviço e a proposta que o Governo apresentou é uma pequena fração da totalidade, que é uma coisa que não aceitamos", sustentou.

Para o sindicalista, "aquela principal razão da greve também tem repercussões nos Açores, pois o Governo Regional assumiu que aplicava tudo o que fosse definido ao nível do continente", a que se junta também "mais uma razão para que se lute pela recuperação total do tempo de serviço".

Segundo fonte da Secretaria Regional da Educação e Cultura, a greve está a registar uma adesão de 19,9%, sendo que estão fechadas escolas dependentes de três entidades: da Escola Básica e Secundaria do Nordeste, da Básica e Integrada da Maia e da Escola Básica e Integrada da Lagoa, em São Miguel.

A greve de professores, que sob a forma de paralisações regionais percorreu todo o país, termina hoje, com a paralisação as escolas do norte e da região autónoma dos Açores.

A greve tem como principal motivação a falta de consenso sobre a contagem de todo o tempo de serviço, no processo de descongelamento das carreiras da Função Pública.

A tutela admite descongelar dois anos e dez meses de tempo de serviço aos docentes, mas estes não desistem de ver contabilizados os nove anos e quatro meses, embora admitam um processo faseado.

A greve foi convocada pelas dez estruturas sindicais de professores que assinaram a declaração de compromisso com o Governo, em novembro, entre as quais as duas federações - Federação Nacional de Educação (FNE) e Fenprof - e oito organizações mais pequenas.



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