HDES regista aumento de novos pacientes com VIH/SIDA

HDES  regista aumento de novos pacientes com VIH/SIDA

 

Lusa/AO Online   Regional   18 de Mai de 2018, 19:23

O diretor do serviço de doenças infeciosas do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, admitiu hoje que nos últimos anos tem aumentado o número de novos casos de VIH/SIDA que chegam ao maior hospital dos Açores.

"Nós temos tido ultimamente cerca de 10, 12, 14 casos por ano", adiantou Francisco Melo Mota aos jornalistas, à margem do curso de atualização em virologia clínica que decorre hoje no Hospital de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.

O especialista lembrou que "no início do ano 2000" já se tinham registado "números bastante elevados", tendo em conta a população nos Açores, um cenário que foi depois alterado com "um decréscimo bastante acentuado".

Porém, agora há novamente uma subida – nos últimos dois/três anos o número “aumentou ligeiramente” -, mas o responsável sublinhou também que muitos doentes de outras ilhas têm optado para ir para São Miguel (a maior ilha do arquipélago) devido ao estigma relacionado com a doença.

Francisco Melo Mota defende, por isso, uma aposta na prevenção, para contrariar o aumento de casos.

"A doença neste momento não tem cura ainda, quer dizer, por mais que se diga que as pessoas têm uma ótima qualidade de vida, nós temos doentes com mais de 20 anos em tratamento, mas não há cura, ficam presos o resto da vida, por assim dizer, à medicação", sublinhou.

Também o presidente da direção da Sociedade Portuguesa de Virologia alertou para o "pico" nas doenças sexualmente transmissíveis em Portugal, como é o caso da SIDA, associando este fenómeno ao "excesso de confiança" da população e com o aparecimento das "terapêuticas eficazes" no tratamento do VIH/SIDA.

"As pessoas acham que não têm de se proteger e aquilo que nós assistimos no nosso dia-a-dia - e eu nunca assisti a isso e já sou microbiologista há mais de 30 anos - é um recrudescimento das doenças de infeção sexual, precisamente porque as pessoas agora não se protegem, acham que já não há doenças propriamente mortais e a SIDA nalguns locais está a reaparecer", disse Paulo Paixão.

Nos Açores há ainda outro vírus que causa preocupação – o da hepatite C, que aparece sobretudo associada à toxicodependência.

"Ainda nos aparecem muitos doentes [com hepatite C], pelo que estamos a ver cada vez há mais. Deveria porventura haver uma maior incidência na prevenção do uso de drogas ilícitas, endovenosas essencialmente, claro. Números exatos não lhe consigo dizer, mas neste momento nós temos cerca de 200 doentes à espera de fazer o Fibroscan (exame ao fígado) para poderem ser propostos a tratamento", disse.



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