Lesados do BES voltaram hoje aos protestos em Lisboa

Lesados do BES voltaram hoje aos protestos em Lisboa

 

Lusa/AO online   Economia   9 de Mar de 2018, 14:24

Pouco mais de duas dezenas de lesados do papel comercial e lesados emigrantes pelo antigo BES protestaram esta manhã, em frente à sede do PS, em Lisboa, exigindo receber mais dinheiro através da provisão criada para reembolsar ex-clientes.

Mas os “protestos vão continuar”, segundo contou no local à Lusa Mário Lopes, presidente da Associação de Lesados do Papel Comercial (ALPC), uma das duas associações representativa dos interesses destes investidores prejudicados, e que representa 100 lesados do papel comercial de empresas do Grupo Espírito Santo (GES), vendido pelo Banco Espírito Santo (BES).

“Achamos que a solução não é justa nem correta, pois deve ser feito o pagamento integral a todos os lesados, sem qualquer diferenciação entre eles, porque foram enganados da mesma forma aos balcões do BES”, defendeu.

A solução encontrada pelo Governo para as cerca de 2.000 pessoas que subscreveram papel comercial aos balcões do BES, pensando tratar-se de produtos sem risco, prevê o pagamento de 75% das aplicações até 500 mil euros (com limite de 250 mil euros) e de 50% para valores acima de 500 mil euros.

Mário Lopes adiantou já ter sido feita nova proposta pelos lesados, com “ligeiro aumento” do valor a receber, com a mesma percentagem de devolução para todos, uma solução que diz ser “mais justa” e que aguarda a autorização do Governo.

“É isso que estamos à espera que o Governo autorize, não haver distinção entre lesados de primeira e segunda”, afirmou.

Outra lesada do papel comercial, que participou esta manhã no protesto, Fátima Lourenço, reafirmou também não concordar com soluções diferentes para os investidores lesados.

“Não se percebe qual a razão desta distinção”, defendeu a lesada, adiantando que problemas como o dos lesados do BES têm como consequência Portugal ser dos países onde há menor poupança, quando comparada com a de outros.

“Eu própria, educada nos tempos do antigamente, já não sei se é bom poupar ou não”, concluiu Fátima Lourenço.

Os protestos dos lesados em Lisboa prolongam-se durante a tarde, em frente à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), enquanto decorre uma reunião do grupo de trabalho (parlamentar) dos lesados do papel comercial, agendada para as 17:30.

O BES, tal como era conhecido, acabou em 03 de agosto de 2014, quatro dias depois de apresentar um prejuízo semestral histórico de 3,6 mil milhões de euros.

O Banco de Portugal, através de uma medida de resolução, tomou conta da instituição fundada pela família Espírito Santo e anunciou a sua separação, ficando os ativos e passivos de qualidade num 'banco bom', denominado Novo Banco, e os passivos e ativos tóxicos no BES, o 'banco mau' ('bad bank').



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