Governo Regional admite dificuldade em controlar listas de espera cirúrgicas

Governo Regional admite dificuldade em controlar listas de espera cirúrgicas

 

Lusa/AO online   Regional   22 de Fev de 2018, 18:28

O secretário regional da Saúde dos Açores, Rui Luís, admitiu esta quinta-feira que os hospitais da região estão a sentir dificuldades em controlar as listas de espera cirúrgicas, mas garantiu que o problema será resolvido "quando for possível".

"Há uma lista de espera, há sim senhor. É de vários anos, é sim senhor. Nós queremos resolver, queremos", insistiu o governante, recordando que o executivo socialista já apresentou "várias medidas" no sentido de tentar resolver o problema, algumas das quais validadas pela Ordem dos Médicos.

Rui Luís, que falava em debate na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), reconheceu que os tempos máximos de espera por uma cirurgia estão a ser ultrapassados em alguns hospitais, mas ressalvou que o Governo não pode estar sempre a recorrer ao Vale Saúde (um vale que permite aos utentes escolher o setor privado, caso o público não dê resposta em tempo adequado).

"É verdade, está-se a ultrapassar os tempos, mas obviamente que a gente não pode estar a disparar vales de saúde, sem os tempos estarem regularizados nos hospitais, sem os médicos fazerem a otimização dos tempos de resposta", esclareceu o governante, garantindo que a portaria que regula esta matéria "vai ser cumprida, quando for possível".

As explicações do titular da pasta da Saúde nos Açores foram dadas durante um debate de urgência sobre o setor e em resposta às questões levantadas pelo deputado Luís Maurício, da bancada da PSD, que acusou o executivo regional de ter "enganado" os açorianos.

"Se há um hospital que responde mais rápido, é para aí que o doente deve ir", sublinhou o deputado social-democrata, recordando que é a legislação proposta pelo Governo Regional, que determina os tempos máximos de espera em cada unidade de saúde, que não está a ser cumprida.

Luís Maurício deu como exemplo um doente da ilha das Flores, que necessita de uma consulta de ortopedia, que devia ter sido encaminhado para o Hospital de Ponta Delgada, porque o Hospital da Horta [da sua área de referência] já tinha o tempo máximo de resposta garantido ultrapassado.

"O senhor nunca me quis responder a esta questão, porque os senhores prometeram, engaram os doentes e não cumprem", lamentou Luís Maurício.

Durante o debate de urgência, proposto pelo PSD, Zuraida Soares, deputada do Bloco de Esquerda, que esteve recentemente hospitalizada, denunciou a falta de pessoal e material nos hospitais da região, dando como exemplo o seu próprio testemunho pessoal.

"Faltam enfermeiros, faltam médicos, faltam auxiliares, todos nós sabemos que falta isto", insistiu a parlamentar bloquista, adiantando que, lamentavelmente falta também outras coisas básicas, como "pensos, roupas e camas", referindo-se, em concreto, ao Hospital de Ponta Delgada, o maior da região.

Artur Lima, da bancada do CDS, entende que o problema está na cativação de verbas, prática comum na República e que parece ser também usual nos Açores.

"Regressou-se ao tempo da velha senhora, em que o presidente do Conselho punha o visto em tudo", apontou o deputado centrista, acrescentando que agora até se fazem "cativações" para se comprar "papel higiénico", prática que considerou ser "uma vergonha".

Já o deputado do PCP, João Paulo Corvelo, voltou a exigir a "abolição das taxas moderadoras", por entender que representam uma "barreira" no acesso aos serviços de saúde no arquipélago e insistiu também na necessidade de "valorização" do pessoal docentes, auxiliares e assistentes.

"Existem situações de sobrecarga de trabalho de enfermeiros e de assistentes operacionais de hospitais e unidades de saúde, que são forçados a turnos de 16 horas, sem que tenham o respetivo descanso compensatório", denunciou o parlamentar comunista, lembrando que nem com a utilização "massiva e abusiva de trabalhadores em programas ocupacionais" tem permitido suprir as carências verificadas.

Mas, apesar das críticas da oposição, José San Bento, deputado da bancada socialista, diz que o Serviço Regional de Saúde está bem melhor.

"Nós temos insuficiências e temos carências que têm de ser resolvidas, agora, uma coisa é inevitável: a avaliação global do sistema é muito boa e o sistema tem progredido numa direção que nos satisfaz", esclareceu o parlamentar socialista.



Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.