Empresários da ilha Terceira querem apurar se voos da Delta são contrapartida pela redução militar nas Lajes

Empresários da ilha Terceira querem apurar se voos da Delta são contrapartida pela redução militar nas Lajes

 

Lusa/AO Online   Regional   10 de Jan de 2018, 06:21

A Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo quer esclarecimentos do embaixador dos Estados Unidos e do presidente do Governo Regional sobre se os voos da Delta para a Ilha Terceira são contrapartida à redução nas Lajes.


A associação empresarial adiantou, em comunicado, que vai "questionar qual a responsabilidade da embaixada dos EUA na vinda da companhia Delta Airlines para os Açores [com voos entre Nova Iorque e Ponta Delgada] e se esta vinda faz ou não parte da contrapartida do 'downsizing' das forças norte-americanas na base das Lajes".

A administração norte-americana anunciou, em janeiro de 2015, uma redução de cerca de 500 militares na base das Lajes, localizada na ilha Terceira, o que levou a uma redução da força laboral portuguesa para metade, com 450 trabalhadores a assinarem rescisões por mútuo acordo.

Em setembro de 2017, a Delta Airlines anunciou que vai começar a operar, a partir de 25 de maio, novas rotas para os Estados Unidos, a partir de Lisboa e de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, contando esta última com cinco ligações semanais.

A Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH), que representa empresários das ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa, quer agora apurar notícias vindas a público que dão conta de que Embaixada dos Estados Unidos da América em Portugal "teria assumido ter promovido a ligação que vai ser realizada pela Delta Airlines entre a cidade norte-americana de Nova Iorque e Ponta Delgada, como medida de compensação ao 'downsizing' da base das Lajes".

"A CCAH já se reuniu com o município de Angra do Heroísmo e o município da Praia da Vitória, manifestando a sua preocupação com as notícias publicadas. A preocupação foi acompanhada, igualmente, pelos municípios da ilha Terceira, tendo ficado acordado que cada entidade iria desenvolver as ações que entendesse sobre o assunto para o apuramento da verdade das notícias veiculadas", salientou a associação empresarial, em comunicado de imprensa.

Os empresários criticam, no mesmo documento, a postura da SATA Air Açores, companhia aérea açoriana que assegura o transporte interilhas, "em relação ao desenvolvimento do turismo para as ilhas do grupo central".

"É sabido que existe um conjunto de operadores e 'Destination Management Companie' (DMC), responsáveis pela operação da Delta, que querem promover a vinda de turistas desta ligação para as ilhas do grupo central, mas, mais uma vez, a SATA apresenta-se como um constrangimento a este desenvolvimento, não apresentando preços competitivos a estes operadores e DMC", apontam.

As notícias de que os voos da Delta Airlines entre Nova Iorque e Ponta Delgada seriam uma compensação pela redução militar norte-americana na base das Lajes já tinham originado protestos por parte do PSD/Açores, que defendeu que as ligações deveriam ser repartidas entre as ilhas de São Miguel e Terceira.

"Embora a base das Lajes se localize na Terceira, os cinco voos semanais da Delta Airlines vão todos rumar a São Miguel, quando poderiam e deveriam ter sido repartidos", considerou a deputada regional do PSD Mónica Seidi, numa nota de imprensa, em finais de dezembro passado.



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