Descobertos micróbios que podem tornar mais eficaz recuperação de tungsténio

Descobertos micróbios que podem tornar mais eficaz recuperação de tungsténio

 

Lusa/AO online   Ciência   5 de Mar de 2018, 09:48

Uma investigação internacional, liderada pela Universidade de Coimbra (UC), descobriu micróbios com grande capacidade de tolerar e acumular tungsténio, o que pode tornar mais eficaz a obtenção e/ou recuperação deste metal, também denominado volfrâmio.

O estudo, liderado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, permitiu detetar “três micróbios com elevada capacidade de minerar tungsténio, um metal crítico para a indústria e para o ambiente”, anunciou a instituição, numa nota enviada hoje à agência Lusa.

Os micróbios foram selecionados a partir de amostras recolhidas no fundo do mar, a 600 quilómetros a sul dos Açores, em zonas de vulcões submarinos “onde a quantidade de tungsténio é 100 vezes maior, em comparação com outros ambientes”, sublinha a UC.

“Das várias experiências e testes realizados, dois micróbios da espécie ‘sulfitobacter dubius’ revelaram uma notável capacidade de tolerar e acumular tungsténio”, acrescenta a UC, adiantando que a investigação já foi publicada na revista ‘Systematic and Applied Microbiology’.

A descoberta representa “um passo importante para a exploração de novas estratégias biológicas para recuperar tungsténio de ambientes naturais ou antropogénicos (causados pela ação do homem)”, sustenta Paula Morais, coordenadora dos projetos PTW e BioCriticalMetals, no âmbito dos quais foi desenvolvido o estudo.

“A partir daqui, é possível desenvolver biossensores e biofiltros alternativos aos métodos atuais que, embora cumpram os limites legais, não são completamente eficazes, para obter e/ou recuperar metais críticos”, salienta, citada pela UC, a investigadora.

Iniciado há um ano, o projeto BioCriticalMetals junta 28 investigadores e empresas ligadas ao setor mineiro da Argentina, de Portugal e da Roménia, com o objetivo de “fornecer bioferramentas inovadoras, amigas do ambiente e vantajosas do ponto de vista económico, para serem utilizadas na indústria mineira, transformando os resíduos (tóxicos) em matéria-prima, numa perspetiva de economia circular”, explicita Paula Morais.

Depois de estudados os mecanismos genéticos dos micróbios descobertos, os investigadores manipularam algumas das suas propriedades, através de processos biotecnológicos, de modo a aumentar a capacidade de acumulação de tungsténio.

A fase seguinte passa por “produzir sistemas destes microrganismos, isto é, cultivar os micróbios em laboratório e desenvolver as bioferramentas que serão posteriormente testadas em ambientes diversificados, nomeadamente em minas”.

O tungsténio tem importância industrial e económica crítica à escala mundial, sendo utilizado nos mais diversos setores, destaca a UC, considerando que “a crescente escassez e o fornecimento a preços cada vez mais elevados exigem a procura de soluções inovadoras, para garantir um abastecimento sustentável deste metal pesado”.

Os projetos PTW e BioCriticalMetals são financiados por fundos europeus, através dos programas Portugal 2020, Compete 2020 e FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).



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