Democracia nos Açores não pode ser "burocracia de quatro em quatro anos"

Democracia nos Açores não pode ser "burocracia de quatro em quatro anos"

 

Lusa/AO online   Regional   9 de Jan de 2018, 16:52

O PSD/Açores voltou hoje a abordar a polémica em torno da instituição particular de solidariedade social (IPSS) Arrisca, criticando o executivo regional socialista e dizendo que a democracia não pode ser uma "burocracia de quatro em quatro anos".

"É preciso dizer basta. Não dá mais para disfarçar: há algo de muito mau nesta governação. O sentimento de impunidade não pode continuar. A democracia não pode ser uma burocracia de quatro em quatro anos", considerou o presidente do PSD/Açores, Duarte Freitas, que convocou para esta tarde uma conferência de imprensa na sede do partido, em Ponta Delgada.

Na semana passada o PSD/Açores tinha já pedido a demissão da atual diretora regional da Prevenção e Combate às Dependências, Suzete Frias, falando numa gestão "abusiva" no passado da Arrisca quando a atual diretora regional era presidente da IPSS.

Em causa estavam notícias adiantando que Suzete Frias tinha um vencimento bruto de quatro mil euros enquanto presidente da Arrisca, cargo que abandonou em 2016 para integrar o executivo açoriano. O Açoriano Oriental - jornal que deu a notícia – citou como fonte uma auditoria da Inspeção Regional da Saúde aos apoios financeiros prestados à IPSS.

"É preciso dizer que neste caso, como noutros, a responsabilidade é do doutor Vasco Cordeiro", líder do executivo açoriano, vincou hoje o líder do PSD/Açores.

Para Duarte Freitas, o presidente do Governo dos Açores chega-se "à frente" quando o assunto lhe interessa e esconde-se, "para passar entre os pintos da chuva, quando não lhe interessa".

Vasco Cordeiro, prosseguiu o social-democrata, é o "presidente do mesmo Governo Regional que escondeu" o relatório da Inspeção Regional da Saúde e é o "presidente do mesmo governo que convidou a pessoa em causa [Suzete Frias] para diretora regional no final de 2016".

Na referida auditoria, a que a agência Lusa teve também acesso, é referido que o vencimento da antiga presidente da Arrisca provinha de três entidades distintas: da Segurança Social, de receitas próprias da associação e da Secretaria Regional da Saúde.

A direção atual da Arrisca defende na auditoria que Suzete Frias foi admitida na associação com uma remuneração base de 1.159 euros, mas "aquando da assinatura deste primeiro contrato ficou, desde logo, acordado rever e aumentar a sua remuneração na medida em que o crescimento das atividades e respetivo financiamento o possibilitasse, o que veio a ocorrer de forma faseada".

Suzete Frias, é também referido, exerceu a "título pró-bono e voluntariamente o cargo de presidente de direção" da IPSS, "não auferindo qualquer compensação financeira pela sua representatividade neste órgão", dizendo o seu vencimento respeito "às funções que a mesma desempenha enquanto trabalhadora da associação".

Arrisca é o nome pelo qual é conhecida a Associação Regional de Reabilitação e Integração Sócio-Cultural dos Açores.




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