CTT esperam "ligeira subida nas receitas" em 2018

CTT esperam "ligeira subida nas receitas" em 2018

 

Lusa/AO online   Economia   8 de Mar de 2018, 09:41

O presidente executivo dos CTT afirmou esta quarta-feira que a empresa espera uma "ligeira subida nas receitas" este ano e adiantou que os Correios de Portugal aumentaram mais três pontos de acesso desde que 2018 começou.

O resultado líquido dos CTT caiu 56,1% em 2017, face ao ano anterior, para 27,3 milhões de euros, sendo que o tráfego de correio endereçado caiu 5,6%.

"Temos uma perspetiva de uma ligeira subida nas receitas e um EBITDA [resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações] para o ano completo. Dependendo do que vier a acontecer na queda do correio e também no tema dos produtos financeiros", são esperados "números semelhantes àqueles que atingimos em 2017", disse o presidente executivo, Francisco de Lacerda, aos jornalistas, à margem da conferência de imprensa de apresentação dos resultados anuais.

"Desde 01 de janeiro de 2018 houve um aumento de três pontos de acesso nos CTT: houve uma redução de 20 lojas" e "um aumento de 23 postos de correio", explicou Francisco de Lacerda, que afirmou que eventuais encerramentos serão analisados em cada momento.

Os CTT esperam que a subida ligeira das receitas seja suportada pelo crescimento contínuo de encomendas e banca e estimam uma queda do tráfego de correio endereçado no intervalo entre 5% a 6%.

No âmbito do Plano de Transformação Operacional, estima-se um impacto de cerca de 20 milhões de euros nos gastos operacionais não recorrentes este ano.

Em termos de investimento para este ano, apontam para 35 milhões de euros e o Conselho de Administração vai propor um dividendo de 0,38 euros por ação, a pagar em maio, num total de 57 milhões de euros, sujeito a aprovação da assembleia-geral.

Sobre os dividendos, na conferência de imprensa, Francisco de Lacerda disse que estes "resultam dos resultados desse exercício [2017] e de resultados transitados de exercícios anteriores [reservas distribuíveis] que estão no balanço".

E reiterou que "os CTT têm uma situação financeira sólida, não têm passivo bancário, não se endividam para pagar dividendos, e os CTT têm estado a investir fortemente nos vários negócios onde estão, incluindo fazer um banco a partir de raiz. O facto de termos esta política não prejudicou essa capacidade de investimento".

Sobre o número de trabalhadores, o presidente disse que o número "esteve relativamente estável em relação ao que era em dezembro de 2016".

No final de dezembro passado, o número de efetivos do quadro e contratados a termo dos CTT era de 12.163, mais 14 (0,1%) do que em 2016. Este aumento inclui a integração de 139 trabalhadores da Transporta em virtude da sua aquisição em maio do ano passado. Excluindo a Transporta, o número de trabalhadores diminuiu 125 (-1%) face a 2016.

Relativamente ao programa de rescisões por mútuo acordo, que arrancou em início de novembro, "está neste momento em cerca de 220 pessoas que aceitaram essa saída", disse.

Francisco de Lacerda reiterou que "todos os serviços de serviço público de correio são prestados" nas lojas dos CTT, onde se inclui os vales postais (pensões) e pagamentos" de serviços.

"Não fechamos as lojas abandonando as populações, nomeadamente" aquelas que recebem as suas pensões, "antes pelo contrário, temos uma preocupação de nos mantermos próximos", garantiu.

"Cumprimos o indicador a que estamos obrigados em termos de qualidade de serviço e cumprimos na distribuição do correio", disse, salientando que o que está em análise pela Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) tem a ver com a qualidade, "não tem a ver com lojas ou densidade, nem presença no país".

Aliás, "cumprimos todos os indicadores de densidade", sublinhou.

Sobre o sentido provável de decisão da Anacom relativo ao preço, o presidente dos CTT adiantou que "está determinado que a regra do preço para 2018 é a que estava em vigor agora".

Sobre as novas regras do preço que vierem a ser fixadas, estas só se "aplicarão em 2019 e seguintes".

Nesse sentido, "já estamos a trabalhar para preparar aumentos de preço de acordo com as fórmulas existentes como temos feito regularmente todos os anos", acrescentou.

Francisco de Lacerda disse que o diálogo entre a empresa e o Governo "decorre como é normal decorrer".

Depois de questionado por mais de uma vez se se sente confortável com os acionistas, tendo em conta que os CTT estão na ordem do dia e o Governo criou um grupo de trabalho sobre a qualidade do serviço público postal, Francisco de Lacerda afirmou: "Sinto-me bem onde estou e com o apoio necessário dos acionistas".

Sobre os resultados de 2017, Francisco de Lacerda disse que estão em linha com aquilo que seria a expectativa do mercado"-

Questionado sobre quando é que o comércio eletrónico arranca em Portugal para acelerar o segmento encomendas dos CTT, o gestor disse que a empresa está a "sentir sintomas de que o tema pode estar a acelerar".

Por isso, "vamos esperar mais alguns trimestres para ver se se confirma".

O resultado líquido recorrente dos CTT - que exclui os rendimentos e gastos não recorrentes e considera uma taxa de imposto nominal sobre o rendimento - recuou 37,5% para 40 milhões de euros.

No ano passado, os rendimentos operacionais dos CTT subiram 2,5% para 714,3 milhões de euros, "influenciado pela mais-valia e os juros associados à venda dos imóveis da rua S. José em Lisboa (16,3 milhões de euros)".

No que respeita aos rendimentos operacionais recorrentes, estes subiram 0,4% para 697,9 milhões de euros, "em resultado do crescimento dos segmentos de expresso e encomendas e Banco CTT, que compensou o decréscimo das áreas de correio e de serviços financeiros", sendo que "retirando a receita do acordo com a Altice registada em 2016 (9,6 milhões de euros), o crescimento dos rendimentos operacionais recorrentes foi de 1,8%", explicam.

Já o EBITDA recuou 20,5% para 81,1 milhões de euros e o EBIT diminuiu 48,2% para 47,1 milhões de euros.



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