Bandeiras e balões dão cor a manifestação contra leis laborais 'mais cinzentas'


 

Lusa/Ao online   Nacional   9 de Jun de 2018, 20:01

Bandeiras vermelhas e balões amarelos, acompanhados de muitas faixas e cartazes, encheram de cor a manifestação da CGTP este sábado em Lisboa, contra a possibilidade de um Código de Trabalho ‘mais cinzento’ para os direitos dos trabalhadores. 

“Temos aqui uma grande manifestação em Lisboa, que reflete a vontade e também a expressão de descontentamento e de contestação de grande parte dos trabalhadores portugueses contra esta proposta de lei que vai ser apresentada na Assembleia da República e que vai ao arrepio quer das expectativas quer de compromissos”, disse o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, aos jornalistas, já no Marquês de Pombal, onde terminou a manifestação nacional convocada para esta tarde pela intersindical.

Foram milhares que desfilaram do Campo Pequeno ao Marquês de Pombal, um percurso de uma hora pontuado por muitos apitos e cornetas, mas sobretudo cartazes, faixas, bandeiras e balões, onde se liam as reivindicações de trabalhadores e sindicatos, entre os quais o fim da precariedade, aumentos gerais de salários e um salário mínimo nacional de 650 euros.

À frente da manifestação, dois dirigentes sindicais gritavam ao microfone as habituais palavras de ordem que os manifestantes repetiam, entre elas “O povo, unido, jamais será vencido” ou “Mais salário, menos horário”.

Logo atrás dos dirigentes nacionais da CGTP, um grupo de membros da Interjovem integrava as filas da frente. Diogo Pinheiro, ainda estudante, com um balão amarelo reivindicativo na mão, marcava presença hoje a pensar no amanhã.

“Futuramente vou ser trabalhador. Temos que lutar pelo futuro e o futuro está nos jovens. Se os jovens não lutarem contra a precariedade ela vai continuar a existir”, disse.

Mais atrás, junto dos trabalhadores do setor metalúrgico, José Luís Tavares, ao lado da mulher, participava na manifestação pela convicção de que deve continuar a luta pelos seus direitos. Pelos seus e pelos de todos, revelando estar solidários com os jovens precários e com as dificuldades que quem se aposenta.

E insiste que vale a pena lutar: “Eu acredito sempre alguma coisa. Temos que tentar lutar. Se eu tive um mês de férias, o meu pai só tinha uma semana em 1960. Eu tenho um mês, alguém lutou”.

Maria Fernanda juntou-se à manifestação com preocupações gerais definidas – “venho por causa dos salários, das horas de trabalho, sei lá, por muita coisa” – mas para falar das preocupações pessoais, pediu ajuda ao marido – “A minha preocupação qual é, Armando”?

“A tua preocupação é o dia-a-dia, é fazer por comer todos os dias”, respondeu o marido a Maria Fernanda, que já não trabalha, estando a aguardar a reforma.

Mas Maria Fernanda acrescentou ainda outra inquietação: os filhos e o futuro deles.

Por estas, mas sobretudo pelas propostas de alteração do Governo ao Código do Trabalho, recentemente acordadas com os patrões e com a UGT em concertação social, e que dominaram hoje os discursos sindicais, Arménio Carlos anunciou a intensificação da ação sindical e a convergência da luta nos vários setores de atividade, agendando uma concentração para dia 06 de julho, na Assembleia da República.

A data coincide com o dia em que o parlamento debate em plenário um conjunto de projetos de alteração ao Código do Trabalho.

“Vamos dinamizar uma linha de ação muito forte, quer no setor privado, quer no setor público nas próximas semanas e vamos anunciar aqui uma luta convergente que não deixará de mais uma vez dar resposta ao Governo”, disse Arménio Carlos, criticando a decisão de aproximar a discussão das propostas do período de férias.

O líder da CGTP disse ainda que se o Governo quiser “encontrar soluções com os trabalhadores só lhe resta uma opção: retirar a proposta”.

Sobre a questão que opõe professores ao Governo relativamente à contagem integral do tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira, Arménio Carlos lembrou que o que ficou estipulado no Orçamento do Estado é que todo o tempo seja contado, recordando ainda a frase do primeiro-ministro, António Costa: “Palavra dada é palavra honrada”.

“Se não o fizer estará a comprar uma guerra que é da sua inteira responsabilidade”, avisou.



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